Em 2026, compensa mais a taxa fixa ou variável?

Explicamos-lhe qual será a melhor solução e fundamentamos as nossas partilhas com um exemplo prático.

A Gestlifes pode também analisar o seu caso em particular e indicar, de forma gratuita, qual será a melhor opção para si.

taxas fixa ou variável

Há duas respostas possíveis na entrada em 2026:

  • Se procura a prestação mais baixa possível hoje e quer dormir descansado sem olhar para as notícias do BCE, escolha a taxa fixa ou mesmo mista. É a opção que mais tem “compensado” considerando as campanhas dos bancos.
  • Se tiver planos para amortizar o crédito habitação ou se acreditar numa queda acentuada da Euribor nos próximos anos, opte pela taxa variável.

No entanto, é muito difícil dar uma resposta certa, já que tudo vai depender do trajeto específico da Euribor e não há como adivinhar esse caminho.

A lógica é a seguinte: nos contratos de crédito habitação com taxa variável, a taxa de juro (a TAN) resulta da soma da Euribor com o spread. Logo, a taxa variável compensa desde que essa soma seja inferior à taxa fixa.

✅ Conheça o valor das taxas Euribor a 3, 6 e 12 meses.

Parece confuso? Passamos a explicar.

Por exemplo, recuemos a outubro de 2024. Nessa altura, a taxa Euribor a 6 meses era de 3,002%. Se um banco oferecesse um spread de 0,80%, a taxa de juro variável do contrato seria de 3,802%.

Agora suponha que a taxa de juro fixa nesse mesmo banco era de 2,50%. Com um spread de 0,80%, a TAN desse contrato seria de 3,30%. Nesse caso, a taxa variável já não compensa por ser superior.

💡 Note que a taxa de juro fixa “é livremente estabelecida pela instituição de crédito em cada contrato”, tal como refere o Banco de Portugal (BdP). Ao contrário da taxa variável, não está dependente da Euribor.

Para tornar tudo ainda mais claro, vamos a um exemplo prático.

Imagine que o João quer comprar uma casa sozinho e está na dúvida acerca do tipo de taxa a contratar. O crédito que quer pedir tem as características seguintes:

  • Montante financiado de 180.000€.
  • Prazo de pagamento de 30 anos.

A fazer uma simulação junto da Caixa Geral de Depósitos (a título meramente exemplificativo), chegou às seguintes ofertas:

Taxa VariávelTaxa Fixa

Taxa Base

Euribor 6 Meses: 3,002%

Fixa a 30 anos: 3,050%

Spread

0,85%

0,85%

TAN

3,852%

3,900%

Mensalidade

844,06€

849,00€

Ora, à data que o João simulou o crédito habitação, percebeu que o contrato com a taxa de juro variável compensa mais. E, na verdade, poderá vir a ser ainda mais vantajoso pela previsão de queda das Euribor.

⚠️ Além da TAN, é fundamental olhar para a TAEG mais baixa. Esta taxa engloba a própria TAN e ainda outros encargos do crédito, como as comissões ou o seguro de recheio, por exemplo.

Agora pode questionar: “será sempre assim?”. Claro que não.

Aliás, optar pela taxa variável sem considerar as outras opções é um dos principais erros financeiros no crédito habitação.

Por outro lado, o mercado de crédito mostra-nos que as taxas de juro são marcadas pela volatilidade.

Efetivamente, se a partir do terceiro trimestre de 2023 poderia compensar optar por uma taxa de juro fixa (dada a subida expressiva da Euribor), essa realidade começou a alterar-se em 2024.

Entre os especialistas, foi consensual que uma das tendências do crédito habitação era a a descida contínua das Euribor. O economista Nuno Rico, por exemplo, referia números concretos.

citação do economista nuno rico

O importante, será, pois, analisar atentamente o mercado e as opiniões dos especialistas para tomar decisões mais esclarecidas.

A escolha da melhor taxa pode ser difícil, sobretudo porque estamos a falamos de pagar as prestações de uma casa. Este é um compromisso maior do que consolidar créditos ou pedir um crédito pessoal.

Por isso, pode contar com a Gestlifes para tomar a sua decisão e encontrar o melhor crédito habitação.

Basta pedir uma análise, que é feita gratuitamente, e a nossa equipa ajuda a perceber se deve, ou não, alterar a taxa do seu contrato.

mudar taxa de juro no crédito habitação

Sim, qualquer cliente pode pedir uma alteração da taxa fixa para variável num contrato de crédito e o contrário também é possível, isto é, passar da taxa variável para a fixa.

Esta mudança, que pode ser essencial para baixar a sua taxa de esforço, pode ser feita de duas formas:

Neste processo de mudança, pode haver custos associados. Em concreto, deve considerar o seguinte:

  • Alterar de taxa variável para fixa: não lhe é cobrado qualquer valor pelo banco atualmente.
  • Alterar de taxa fixa para variável: pode ser necessário cobrir despesas da mudança, visto que o banco também acautelou custos no crédito habitação ao disponibilizar uma taxa fixa.

No caso específico da transferência para outro banco, é preciso salientar que a dívida com a entidade financeira atual será amortizada e começará a pagar esse mesmo montante a outra instituição.

Este é, pois, um processo de amortização de crédito habitação e envolve uma comissão que varia consoante o tipo de taxa do contrato:

  • Se tiver um crédito com taxa de juro variável, a taxa de amortização é de 0,5% do valor em dívida;
  • Caso a taxa do contrato seja fixa, a comissão é de 2% desse montante.

No entanto, há bancos dispostos a absorver os custos da transferência. É o que acontece, por exemplo, no Banco CTT, desde que transfira montantes superiores a 75.000€.

💡 Mesmo que possa vir a ter algum custo numa potencial alteração da taxa, essa mudança para usufruir de melhores condições contratuais pode compensar o esforço.

Se tiver dúvidas acerca da melhor solução de poupança no seu caso, aproveite o simulador da Gestlifes. Com base nas suas necessidades, identificamos qual será o melhor comportamento a adotar.

Tal como o nome sugere, a taxa de juro variável sofre alterações ao longo de um contrato de crédito habitação.

O valor desta taxa resulta da soma de duas componentes já referidas: a Euribor e o spread. Vejamos o significado de cada uma com maior detalhe:

  • Euribor: é uma taxa de juro de referência na concessão de crédito na Zona Euro. É também o principal indexante do crédito habitação nos contratos com taxa variável.
  • Spread: é a margem de lucro de um banco e é definido livremente pela própria entidade financeira. Dependendo do perfil do cliente, o spread é ajustado, podendo ser maior ou menor.

O valor da Euribor é revisto após o prazo a que se refere (os mais comuns são 3, 6 e 12 meses) e, mediante a evolução desse indexante, a taxa de juro do seu crédito pode subir ou descer.

Em bom rigor, se a Euribor aumentar ou diminuir, a sua prestação sobe ou desce, respetivamente.

Por fim, o spread também pode variar durante o contrato, mas apenas em momentos específicos. Por exemplo, se subscrever produtos facultativos, o banco poderá diminuir o valor do spread.

💡 Um produto facultativo faz parte das chamadas “vendas associadas facultativas” dos bancos, que representam produtos e serviços financeiros comercializados para melhorar as condições de um empréstimo. Os cartões de crédito são um exemplo.

  • Possibilidade de Redução de Juros
  • Imprevisibilidade e Potencial Impacto

A grande desvantagem da taxa variável diz respeito às flutuações do valor da Euribor.

É certo que, nos períodos em que esse indexante está baixo, as suas prestações são menores e sente um alívio no orçamento. Mas este fator pode representar também um contra. De facto, se a Euribor subir, vai sentir esse peso na sua carteira.

💡 Se for expectável que as taxas Euribor baixem, como se verifica atualmente, pode compensar mais recorrer à taxa variável para a sua mensalidade acompanhar essa descida.

A taxa de juro fixa é sempre a mesma e as prestações do crédito não mudam durante o prazo do contrato, ou seja, é uma boa solução para quem não gosta de estar exposto ao risco da variação das Euribor.

❗️O BdP refere que “em condições normais, a prestação de um empréstimo a taxa de juro fixa é mais elevada do que a prestação indexada à Euribor”. Este é o “preço a pagar” pela segurança que a taxa fixa oferece.

A taxa de juro fixa é definida por cada banco e varia de acordo com diferentes fatores, nomeadamente:

  • Risco de crédito do cliente;
  • Garantias oferecidas, como hipoteca ou a existência de fiadores;
  • Subscrição de produtos adicionais;
  • Loan-to-Value (LTV), isto é, o rácio entre o valor do financiamento e o valor do imóvel.

Ora, se apresentar um perfil bancário confiável, o banco poderá baixar a sua prestação.

  • Maior Estabilidade
  • Prestações Não Descem

A segurança é a maior vantagem associada aos contratos de crédito com taxa de juro fixa. Mesmo que suporte mensalidades mais elevadas, sabe que terá o seu orçamento salvaguardado em caso de subida das Euribor.

Em contrapartida, poderá estar a perder oportunidades de poupança em períodos em que aquele indexante do crédito habitação apresente valores muito reduzidos.

Atualmente, prevê-se que as taxas Euribor estabilizem e, por esse motivo, pode compensar apostar numa taxa de juro fixa ou mista no crédito habitação, considerando também as campanhas dos bancos.

A verdade é que as taxas de juro são muito voláteis e o que compensa numa fase poderá não ser o melhor noutra altura.

Caso pretenda alterar a sua taxa de juro, pode recorrer, por um lado, a uma renegociação do crédito atual ou, por outro lado, apostar na transferência do empréstimo para outro banco.

Como alternativa, e para identificar a melhor opção de poupança, pode contar com o apoio de intermediários de crédito como a Gestlifes. Basta iniciar a simulação online e indicamos qual será a melhor estratégia a seguir.

Sobre os Autores

Rita Cabral

Rita Cabral

Autora

Autor Artigos: 65

Formada em Comunicação, é editora de conteúdo sobre Finanças há sete anos e escreve para melhorar a literacia dos portugueses em matéria de Crédito.

João Pereira

João Pereira

Revisor

Revisor Artigos: 60

Fundador da Gestlifes, gere as operações e estratégias de intermediação e domina por completo os temas de crédito pessoal, consolidado, automóvel e habitação.